Levantou o mundo as suas vestes e a vida teve o mesmo plano de fundo. A
caneta deslizou sobre o papel como em tantos outros dias, o copo encheu e a
chuva parou.
Fosse o rio o ponto de partida e o barco seguiria o mesmo rumo, entre as mesmas
margens.
Fumaria o perdido o mesmo cigarro como um mapa com um trajeto que o
permitisse escapar.
Tocaria as suas agonias o piano que alguém comprou.
A mesma
face da mesma moeda cairia sobre a mão de uma vida por decidir.
Ouviria a rua o
mesmo tom arrepiante da passagem dos dias.
Seriam abertas as mesma garrafas
para festejar os mesmo motivos de décadas e todos voltariam a ser motivos
felizes, como se a felicidade fosse o pó do mesmo baú que todos abrem.
Rodaria
a chave da porta o mesmo medo de todos os dias.
Veriam novamente o chão todos
aqueles que pisam a rotina.
Passava o dia e todos assistiam ao seu cortejo. Sabiam que aquele era mais um e que mais uma vez as suas
vestes cairiam e tudo seria igual, como já havia sido e como haveria de ser.
Crónicas da Cidade Grande III
-àquela nossa típica
estagnação.

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