Hoje peso. Mais do que ontem.
Pesam-me estes anéis e os olhos caem em direção ao chão.
Se ainda sou Júpiter, já não me reconhecem. Hoje sou de cá, esqueceram-me os de lá.
Havia tido em mim mil luzes que me aqueciam e me faziam ser tão eterno quanto todas elas pareciam ser. Com elas conheci o que só se pode ver acompanhado, fizemos das canções mantas nas noites de inverno que passamos a ver o céu e das ruas rumos que nos levavam para onde quiséssemos. Tudo era nosso.
Hoje giro com o mundo e misturo-me com estrelas que nunca vi. O que é feito das que brilhavam por mim?
Um dia li que somos pó de estrela, então procurei-as em mim. Não houve espaço que escapasse, recanto em que não procurasse, nem estrelas que encontrasse. Será que as perdi? Será que já não estão em mim?
Sei que as encontraria, fosse onde fosse. Talvez não fosse isso que a frase queria dizer. Como poderiam estar em mim estrelas que nem são minhas?
Somos pó de estrelas, se assim é, ao dar de mim poderia ser que algumas se acendessem. Sacudi todo o pó que podia e espalhei-o por aí. Falhou. Todos os dias olhava o céu, percorria todas as estrelas e nenhuma reaparecia.
Afinal, como se acende uma estrela antiga?
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