Era o importuno desses tic-tac's que descolavam da tua sola passos mais apressados.
Dizias para o relógio que tinhas tempo, mas era como se cada segundo contasses.
Não importa a rua, as pessoas por quem passasses, as flores que pisasses, nem os rumos que cortasses.
Em ti só havia o destino e as horas que marcaste.
Chegavas à hora e via-la passar.
Daí a nada terias de correr para outro lugar.
E dizes tu que não perdes tempo, enquanto que nem para o lado podes olhar, enquanto que nem para respirar podes parar.
E dizes tu que não perdes tempo enquanto corres na ansia de chegar, sem sequer teres o que aproveitar.
Tocavam os decrescentes tic-tac's e tu, que tanto os ouves, nunca os conseguiste escutar.
Quem sabe um dia os percebas quando eles te disserem "um dia também vamos acabar".
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